domingo, dezembro 16, 2007

Ontem foi o tão esperado debate "Internet e poesia, isso combina?", já agradecendo o Rodrigo Capella pelo convite. O cara é demais.

O debate rolou na 22º Feira do Livro. Isso merece um aparte. Organizar uma feira é fácil. Difícil é organizar um evento cultural. E, pelo que vi, foi o caminho escolhido pelos organizadores, o mais fácil. Não consigo imaginar uma feira literária, com tantas cabeças boas participando, se não há uma agenda consistente de palestras, debates e saraus. Ficou a desejar.

E, finalmente, o debate. Além do Rodrigo, que era o mediador, participaram também a Maura Soares, presidente do Grupo de Poetas Livres além de teatróloga e escritora e o Marco Vasques, escritor e pesquisador de literatura e gerente da Fundação Cultural e, obviamente, eu, o blogueiro desconhecido.

Rodrigo é uma cara que gosta de polêmica, o que me agrada. Fez perguntas e instigou o debate. Completamente à vontade.

Pontos comuns: O escritor tem que sentir a necessidade de escrever, como parte de sua alma. A internet é um grande meio de conhecimento de poesias. E fim.

Polêmica: Aí que me surpreendi. Encastelado em citações, frases-feitas e clichês, Marco defendeu a idéia de que o leitor "é que se foda". Não está nem aí se vai vender ou não "é problema da editora". Para se situarem, sabe aquele cara que prendeu um cachorro e o deixou morrer de fome e sede? Ou então imaginem um artista que coloca um balde cheio de merda no meio de um salão da bienal. Esse é o cara. Faz parte da casta de vanguardistas pseudo-intelectuais que acreditam que poesia não é algo que leve o leitor a interpretar a seu modo. "A falta da educação impede que o leitor venha até a mim e entenda", citou. É hermético. "Poesia tem estética e regras". Típico de quem não se sente à vontade em se relacionar com seu público.

Quanto ao negócio literário. "Fulano de tal só foi descoberto anos depois de sua morte, e por acaso", citando, um renomado poeta. "Eu não me esforço mesmo para vender e foda-se".

E foi extremamente condescendente, com um comportamento mal-educado típico de quem se acha fodão.

Maura só não pulou no gasganete do sujeito por ser realmente uma dama. Ela acredita que a internet é um campo vasto a ser explorado e que o poeta/escritor tem sim que se envolver no processo comercial. Não que ele tenha que escrever sob medida para um determinado público. mas tem que saber vender seu "peixe". No que concordaram vários escritores presentes. E faz um excelente trabalho de divulgação juntamente com seu Grupo de Poetas Livres.

Eu? Bom, eu me diverti pra caralho cutucando o renomado escritor. Estou convicto que a internet, destacando os blogs, são um excelente canal para criar, evoluir e vender o que se produz. Nos blogs temos uma interação muito bacana com quem nos lê. Essa troca é importante (tirando convites para memes e entregas de indicações canhestras). Ah, eu iria ficar muito, mas muito puto se descobrissem meus escritos 150 anos depois e ficasse famoso postumamente, sem ganhar um único centavo. E tem que se vender sim. Pra que serviria então as noites de autógrafo se o escritor quer que seu público se foda?

Em tempo: Na Europa muitas editoras estão buscando escritores nos blogs de poesias e contos. Pensem nisso antes de encherem seus blogs com memes.

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