terça-feira, janeiro 02, 2007


Estou aproveitando e relendo o livro "Mauá, empresário do império", recomendo pois mostra muito das razões do por quê o Brasil é o Brasil. Tem um trecho muito interessante. Diz respeito à influência do Visconde de Cayrú na formação da economia imperial. Adaptou os ensinamentos de Adam Smith à realidade brasileira do começo do século XIX. Mas, por questões situacionais - o escravismo, adaptou-o ao seu bel-prazer. Por exemplo, a despeito dos ensinamentos do escocês, difundiu a idéia de que o trabalho era um estigma e o ócio um prêmio. Trabalho era o último valor na sua escala de valores. "Substituiu o mercado por outro princípio regulador de mercado, o paternalismo da coroa. O primeiro princípio da economia política, disse ele, é que o soberano de cada nação deve considerar-se o chefe ou cabeça de uma vasta família e, consequentemente, amparar todos que nela estão como seus filhos.." (Jorge Caldeira, Mauá, o empresário do império, página 118). Como diz o autor, torto o princípio, torto o caminho. "A idéia de que o trabalho é a fonte de toda riqueza não podia entrar na cabeça de nenhum senhor de escravos"(ibid). Para o Visconde, trabalho era apenas e tão somente o "exercício mecânico do corpo para executar as operações econômicas. Inteligência e industria, neste sentido considerada a energia e constância para superar obstáculos, estavam em primeiro plano (ibid, página 120).

Interessante notar que o discurso de re-posse do nosso audaz e paternalista líder se encaixa como uma luva. E o tema já era retrógrado. Mesmo no século XIX. Pelo menos para quem dominava a economia à época, os ingleses. Mauá tomou um baita susto quando leu o original de Smith. Não tinha nada a ver com o que pregavam aos portugueses e brasileiros.

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