domingo, outubro 22, 2006

Entrei na universidade em 1981. Quando a liberdade de expressão estava entrando no seu período áureo. Não vou aqui apresentar meu histórico. Mas peguei uma antipatia visceral pela esquerda festiva, aquela esquerda que tomava whiskie 12 anos. Ao invés de apresentar soluções para o crescimento do país pregavam a divisão dos bens. Do tipo, se você ralou e conseguiu ter dois carros dê um ao pobre. Se você tem um apê na praia doe ao necessitado. E por aí vai. Modelo econômico que não deu certo em nenhum lugar no mundo. Já não dava naquela época.

Gostaria de esclarecer um ponto aqui. Sou democrata. Acredito que a maioria deva ser responsável pelos destinos deste país. Infelizmente a maioria é manipulada. Até 2002 os formadores de opinião, nós, a classe média, eram manipulados pelos interesses correntes de quem tinha o poder de decisão. Após 2002 esse paradigma foi quebrado. Por que usar a classe média, conceito abstrato e imbecil economicamente falando, se era mais fácil e barato ir direto ao ponto? Dessa forma, através de alianças espúrias, o (des)governo se aliou ao que há de mais retrógrado na política nacional e atingiu diretamente a classe miserável. E deu no que deu. Além, claro, de favorecer o gigante da mídia retirando-a da condição pré-falimentar e dar uma força aos banqueiros.

Por isso fico espantado com algumas opiniões de pessoas que deveriam ser mais esclarecidas. Por ser democrata libero todos os comentários, não ofensivos, para que sejam lidos. Por entender que apenas o crescimento econômico, sustentado pelas pequenas e médias empresas, salvará esse país, tenho a paciência de também visitar os blogs como o do Marcelo, que comentou no post anterior. Quando se lê que acredita em polarização da luta de classes, de insistir no pré conceito de que a classe média é conservadora e não vota na esquerda, me remeto aos velhos tempos da ditadura militar. Da guerra fria.

Só um robô pode acreditar que o Lula é tratado como um molusco por atacar a língua portuguesa. Ou por ser inculto. O que me deixa indignado é a esperança que foi confiada a um partido, e a uma pessoa, que tinha tudo para mudar os paradigmas políticos e econômicos deste país. Mas está continuando exatamente tudo aquilo que sempre combateu. Combateu?

Ele, Lula, o apedeuta molusco, não é burro mas sim esperto. Mas do tipo do que há de pior na definição desta palavra.

Então, ao ler o blog do Marcelo, me sinto na obrigação de escrever algo a respeito. Pois não é possível que cidadãos, que pagam impostos escorchantes e não tem um pingo de retorno, sejam vistos, hoje, como manipulados quando é exatamente a classe miserável e "desdentada", comprada com os programas emergenciais e sob o tacão de seus ricos e elitizados governantes locais, o é.

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