sexta-feira, dezembro 30, 2005


Desde que comecei este blog queria postar algo em relação a Floripa, terra que adotei há 11 anos. Nada com o verão, estação do ano que somos invadidos por hordas e hordas de turistas de todos os rincões do Brasil e do mundo, principalmente infestados por arghentinos e paulistas, para aproveitar a oportunidade.

Conheci Floripa em 91 e me encantei com a cidade. Pacata, estresse zero. Mas com umas coisas muito curiosas e enervantes. Por exemplo, até pouco anos atrás grande parte do comércio fechava na hora do almoço. Fechavam para resolver suas coisas particulares. Mas resolver o que se estava tudo fechado? Era de lascar. Hoje em dia isso diminuiu bastante. Sobram apenas uns poucos resistentes.

Outro fato interessante é a lenda das bruxas. O "Ilha da Magia" é por conta da existência de bruxas por aqui. Essas bruxas intangíveis cobram do cidadão dois anos de inferno antes de que ele consiga se estabelecer aqui. Vi casamentos terminarem e empresas quebrarem nesse período. Mas, de forma geral, quem consegue sobreviver a este período inicial tem uma certa tranquilidade e prosperidade depois. Esta lenda anda meio esquecida e nem é muito divulgada, talvez para não espantar os migrantes. Mas ela existe e é real.

É uma ilha habitada por funcionários públicos e estudantes. De modo geral público durango. Coisa que mudou um pouco com a vinda de aposentados abonados para estas plagas. Mas no meu ponto de vista não rola a grana toda que alardeiam por aí. Logo não pensem em abrir algo exótico na ilha. Conheci um paulista que veio pra cá abrir uma charutaria. Se deu mal.

É a Ilha da Hemorragia por que o custo de vida, aqui, é alto pra cacete e o cristão sangra até a morte se não tiver cuidado. Há coisas bizarras como, por exemplo, se comer super barato fora de casa e o supermercado ser caríssimo em relação aos grandes centros. Shows então nem pensar. No mínimo o dobro do que cobram no Rio ou São Paulo, e com o agravante de serem temporadas de apenas um final de semana. Na minha opinião quando a raça quer passar o final de semana aqui eles fazem um show só para pagar as despesas.

Imóveis. Quem comprou até uns 4/5 anos atrás se deu bem. Hoje em dia está fora da casinha comprar imóvel como investimento. Mas o interessante é que se continua construindo como nunca. Ou todo mundo é louco ou então teremos um boom populacional digno dos estados unidos. Para se ter uma idéia a diferença, de um imóvel no mesmo padrão entre a ilha e o continente, é de 50% no preço do primeiro para o segundo. Como o mané é murrinha e muquirana por natureza fazer negócio aqui é de dar nos nervos.

Uma bizarrice é comer churrasco fora de casa. Era de se esperar que, por estarmos localizados no sul do Brasil e cheio de gaúchos morando, seríamos imbatíveis no quesito espeto corrido (ou rodízio para o resto). Ledo engano. Aqui foi o único lugar do planeta que me serviram um tal de "granito". Podem acreditar essa peça de carne existe, é da ponta do peito do boi e é dura que nem pedra. O resto nem se fala. Come-se melhor em casa com os amigos.

Outra é o atendimento. Nunca conheci um lugar com atendimento tão péssimo como Floripa. Eles fazem questão de serem antipáticos e de não atenderem bem. A explicação é simples: Como aqui todo mundo tem família, se o indivíduo fica sem emprego ele se vira com a sogra, a mãe, o irmão ou outro raio de parente que tenha. Se fosse em algum grande centro eles morriam de fome, mesmo.

Transporte público: uma exploração. E nos finais de semana, principalmente para as praias, cai em 60% a oferta de ônibus. Estranho considerando que somos uma cidade de praias. Fora as pancadarias que rolaram soltas este ano por conta de reajustes de tarifas. Fizeram um trabalho de integração das linhas digna de Frankstein. Coisas que só quem conhece os menadros da política sabe o que é.

Violência: Subiu muito. Mas uma das coisas boas daqui é que crimes não ficam sem solução o que conforta porém não tranquiliza.

Agora as dicas. Recomendo a quem quer conhecer a ilha dispor de pelo menos dois dias. Um para conhecer o norte da ilha e outro o sul.

1) Praias: Temos uma miríade de praias. Em direção norte, indo pela SC-401 por dentro, temos as praias do Jurerê Internacional, do Forte (tem um forte do século XVII muito bacana que dá o nome) e Daniela. São calmas e em algumas delas tem os points da moda. Na ponta norte temos as praias da Lagoinha e Brava. Esta última é o point no verão. Voltando por fora Barra da Lagoa, Mole e Joaca. A praia mole lembra muito o Pepê na Barra da Tijuca. Cheia de gostosas e pitboys. Do lado sul gosto mesmo é dos Açores. Mas tem as praias do Campeche (com a ilha em frente que vale uma visita), Morro das Pedras e Armação. Pântano do Sul e Solidão completam o roteiro. Todas são praias de mar aberto então cuidado.

2) Locais: O lado sul da ilha é muito maneiro. Não devem deixar de conhecer o Ribeirão da Ilha, ponto inicial de colonização. É muito bacana a arquitetura e coisa e tal. Do lado norte tem Santo Ântonio de Lisboa e Sambaqui. Mercado público, no centro da cidade, é imperdível com suas bancas de peixe, mercearias e o famoso e único Box 32. Este bar é muito conhecido pela turistada. O chopp é muito bom mas os preços são caros a dar com o pau. Quem gosta de cachaça a servida no barril deles é excelente. A que está na garrafa que leva o nome da griffe é uma merda.

3) Comida: O forte da ilha é frutos do mar. Somos o maior produtor de ostras e mariscos do país, podem comer sem medo (a não ser que sirvam congelado), então vão lá as dicas:

  • Em Santo Ântonio e Sambaqui: Chão batido. Muito legal. É uma petiscaria mas o rango é de primeira e o preço meio salgado hoje em dia. Existem outros, aliás muitos, restaurantes nestas duas praias que vale conhecer. Tem um especialmente ruim que infelizmente tratei de deletar da minha cabeça. Fiquei 20 minutos sentado sem ser atendido, levantei e nem me olharam. Fica bem em cima de um morrinho na beira do mar e ao lado de uma pousada bacana. Não entrem.
  • No Cacupé: Maria do Mar, vulgo Zé do Cacupé. Mesmo sendo caro o prato é servidaço, então vale a pena quando em uma turma boa.
  • Na Lagoa da Conceição tem a Casa do Chico e na Barra da Lagoa o Ponta das Caranhas, ótimos, caros, divinos.
  • No Ribeirão da Ilha Recanto Açoriano. Tem o criatório de ostras em frente e um deck sobre o mar que dá um toque especial ao lugar.
  • No Pântano do Sul tem o Arantes. Na minha humilde opinião é lenda e uma enganação. O único lugar aqui que me serviram um prato de ostras cruas congelado, na temporada de colheita!!!.
  • Quem quiser comer uma carne bem feita procure a franquia Texano Grill. Self-service a quilo, carne excelente, localizada nos Shoppings Beira-Mar e Itaguaçu e no Supermercado Angeloni da via expressa. O resto das churrascarias não vale o que cobram.

Quem quiser outras dicas fiquem a vontade para perguntar. Claro que conheço outros locais né?

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