sexta-feira, setembro 23, 2005

Quando garoto, morador de Brasília, minha terra, tinha por hábito, anualmente, ir caçar com meu pai e meu irmão. Naquela época a caça e a pesca eram abundantes em Goiás (onde hoje é Tocantins). Sem entrar no mérito se era uma atividade nefanda atirei com vários tipos de rifles: .32, Winchester 44, espingardas de cano duplo. Nunca, apesar de gostar de atirar, tive a menor vontade de ter uma arma.

E agora estou, como todo brasileiro, sendo levado de roldão nesse turbilhão que chamam de "referendo do desarmamento".

Mas vamos ao que interessa. Desarmar ou não o cidadão de bem, por que o bandido com certeza não o será, é uma pergunta meio cretina. Não conheço ninguém que, assaltado ou ameaçado por bandidos, tenha conseguido reagir e matar seus ofensores. Pelo contrário, tinha um grande amigo que foi morto por um tiro de AR-15, apesar de ser exímio atirador e sempre andar armado, em uma tentativa de sequestro. Quando o bandido age ele já tomou a decisão. E a maioria dos cidadãos do bem não tem esse instinto reativo em casos desse tipo. E na minha modesta opinião só alguém muito bem treinado poderia reagir a algo assim sem ser morto. Qualquer outra coisa só em filme. E pelo que me lembro apenas alguns tipos de cidadãos podem portar armas.

Fico com as seguintes conclusões:

1) Desarmar ou não a população não deveria mudar em nada, pois só alguns privilegiados poderiam andar armados;

2) A sacanagem é que não há nenhuma política de segurança pública focada em desarmar a bandidagem;

3) Fazer um referendo inútil desses só pode significar alguma maracutaia, pois parece que a grana envolvida, só para divulgá-la, é na casa dos R$ 300 milhões;

4) E por último e não menos importante: uma população desarmada é alvo fácil de dominação, interna ou externa. (os adeptos das teorias de conspiração podem deitar e rolar com essa)

Se tiver voto em branco tô nessa. Mas se tivesse que escolher eu seria contra.

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