quarta-feira, agosto 24, 2005

Li este texto na coluna do Roberto DaMatta, no Globo on line. Não sei se é verdadeiro mas é muito interessante (os grifos são meus).

"O assassinato de nossa irmã Dorothy Stang — mártir, Cidadã Paraense do Ano e agraciada com o Prêmio BOA de Direitos Humanos — por fazendeiros e madeireiros implacáveis e indiferentes às leis ainda é um choque terrível para todos nós, seus oito irmãos, assim como para milhares de irmãs da Ordem de Notre Dame em todo o mundo, para a CPT, o MST, o CNS e milhões de cidadãos respeitadores da lei que amam o Brasil.

Dorothy Stang foi uma grande bênção de Deus a seu país. Ela acreditava no senhor, em seu governo, suas leis, seu povo e na grande Floresta Amazônica. Dorothy dedicou 39 anos aos pobres, aos sem-terra e aos marginalizados do Brasil. Aos 73 anos de idade, ainda lutava pelo direito dos pobres de fazer parte da sua grande economia brasileira — mas era ridicularizada por pessoas que desprezam a lei, madeireiros, pistoleiros, o prefeito e a estação de rádio de Anapu, a polícia local, seus funcionários corruptos no Incra e no Ibama e o consórcio de fazendeiros que, na opinião de muitos, pagou aos pistoleiros para assassinar nossa irmã. Embora tenha recebido muitas ameaças de morte nos últimos anos de sua vida, nossa irmã continuou, corajosa, no caminho da justiça e da verdade, nunca hesitando diante da tarefa monumental que se colocara.

Os senadores encarregados de investigar o assassinato de Dorothy recomendaram que o caso dela fosse levado à Justiça federal. (...). Ficamos chocados e consternados ao ouvir, em 9 de junho, a decisão unânime do Supremo Tribunal de Justiça rejeitando a federalização do caso. Se esse não é o tipo de caso que merece chegar à esfera federal, não se sabe qual caso o seria, em vista do longo histórico de impunidade no Pará. Será que pode haver alguma dúvida de que o caso de Dorothy diz respeito ao abuso de direitos humanos? Que provas o Pará nos ofereceu de que a justiça será feita? Que apoio o Pará está dando aos pobres e sem-terra?

Nós o desafiamos a mostrar que o senhor apresentou os melhores argumentos possíveis para defender a federalização do caso de nossa irmã.

Imediatamente após a morte de nossa irmã, o senhor prometeu ao mundo enfrentar a impunidade no Pará. Ao mesmo tempo em que nos sentimos reconfortados ao ouvir seu compromisso de castigar os assassinos de nossa irmã e destinar terras aos sem-terra e às áreas de conservação, temos visto muito poucas ações concretas. Consta que, em abril, a rádio de Anapu teria declarado que Dorothy era má e que as tentativas feitas por algumas pessoas de terem suas terras legalizadas seriam barradas. (...).

(...)

(...) Dorothy amava o povo brasileiro e não tinha medo de falar abertamente em favor do que é certo e justo. Não podemos esperar o mesmo do senhor? (...)

(...)

Temos grandes esperanças no senhor, em seu governo e sua população. Aguardamos com prazer a possibilidade de o encontrarmos quando o senhor tiver respondido a esses desafios.

Nota Jus Indignatus: Se eles tem esperanças que esperem sentados.

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