terça-feira, junho 28, 2005

Como todo mundo viu, no dia 26/12/2004, alguns países asiáticos e africanos foram devastados pelos tsunamis causados por um grande terremoto na Sumatra.

Vendo aquela devastação toda tentei criar um posto de coleta para donativos às vítimas aqui em Florianópolis. Antes que digam que o Nordeste do Brasil precisa mais, digo que encarei o assunto fazendo uma analogia com o trabalho. Quando temos algo importante e urgente a fazer recorremos à hora extra certo? Pois é.

O plano era simples. Através da mídia (no caso o Diário Catarinense se prontificou imediatamente) iria divulgar que em algum quartel estariam recebendo donativos. Os quais me encarregaria, junto com outras pessoas, a catalogar e empacotar (em caixas de papelão) para embarque. Dependeríamos apenas de que um avião cargueiro viesse buscar e levar para um centro de despacho nacional.

Nunca pensei que minha ação fosse ser tão difícil (no caso impossível) de levar adiante. No estado de Santa Catarina não há nenhuma orientação nem responsável para tal. Nenhum dos órgãos oficiais estaduais estava preparado (ou disposto) a encarar essa. Nem a Defesa Civil, que apesar de toda boa vontade, por exemplo tinha estrutura. Conversei também com o sub-comandante da base aérea que disse que poderia me ajudar caso tivesse autorização do Ministério da Defesa. Coisa lógica e que tratei de tentar..

Conversei com meio mundo em Brasília. Um general me saiu com a pérola que custava x mil dólares para despachar um Hércules para lá. E por aí vai. Por fim, encontrei um coronel do Comitê de Segurança Nacional que, entre idas e vindas, me enviou o seguinte email:

“Prezado Ricardo
O Presidente da República decidiu que as Forças Armadas - Exército, Marinhae Aeronáutica - estarão recebendo o material que já foi coletado pelas instituições, população em geral, ONG's, etc. O Ministério da Defesa deve estar orientando as Forças a respeito. Posteriormente, o material será transportado para a área afetada pelo maremoto pela Marinha Mercante e aviação comercial.Um cordial abraço”

Foi a última notícia que tive.

Não consegui fazer absolutamente nada. Meu irmão, no Rio, fez uma vaquinha entre amigos e compraram caixas de tabletes para puruificação de água. Participei dessa e levantamos o suficiente para 10 mil pessoas por um mês. Entregou nos bombeiros de lá (que estavam ajudando na coleta) e com certeza não deve ter seguido para seu destino.

No final fica a frustração e indignação.

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