sexta-feira, junho 17, 2005

Vamos ser mais mundanos e deixar um pouco o cenário policial de lado. (não é ato falho!!!)

Desde sempre fui um aficcionado por leitura. Tive a oportunidade de ler muitos livros interessantes. Me deliciei com as aventuras de Tom Sawyer, desbravei locais exóticos com a Ilha do Tesouro e Viagem ao Centro da Terra, fui um destemido mosqueteiro, fui introspectivo ao ler Moby Dick e O Conde de Monte Cristo. Foram livros que li e reli muitas vezes.

Além dos citados acima, li praticamente todos os livros de Sir Arthur Conan Doyle, que para quem não sabe é o criador de Sherlock Holmes, e que também foi autor de outras narrativas como o Mundo Perdido e a Companhia Branca. Este último sobre as aventuras de um escudeiro à época das cruzadas.

Li quase todos os livros de Jorge Amado e de Josué Montello. Li todos os de Monteiro Lobato (o mundo fantástico criado por ele é um show). E li recentemente Mario Prata e Jô Soares. Me desculpem mas abomino Paulo Coelho (não o considero escritor se comparado com tudo que já li na vida). Mas não me surpreendo em que ele seja imortal considerando que até o Sarney o é. E muito menos mago....

Como gosto de ficção e suspense me aventurei por Frederick Forsyth e Robert Ludlum (este último gerou dois bons filmes: A identidade Bourne e A Supremacia Bourne). O Senhor dos Anéis é uma leitura obrigatória para quem gosta de criatividade e imaginação.

E sou fã do Harry Potter. Os livros prendem a atenção, tem estórias fantásticas e criativas.

Mas retornando ao título deste post. Sempre gostei de aventuras e nada mais bacana do que ler sobre aventureiros reais. Li um livro sobre 4 franceses que na década de 50 deram a volta ao mundo praticando caça submarina, muito legal. Li o livro do Amir Klink, 100 dias entre o céu e o mar. Soando como belicista gosto de ler sobre livros de guerra. Ganhei de presente do meu compadre o livro do Ambrose sobre o dia D. Abstraindo a carnificina que foi aquele dia é uma lição interessante de como planejar faz a diferença entre a vitória e a derrota.

Mas o que mais me chamou a atenção e recomendo a leitura é "A incrível viagem de Shackleton: A Saga do Endurance". Em 1914, logo antes de eclodir a primeira guerra mundial, um explorador inglês liderando uma expedição de 28 homens, tinha o objetivo de cruzar o continente antártico a pé. Só para terem uma referência, ele já tinha tentado conquistar o polo Sul com Scott, que veio a falecer durante outra tentativa, evento que farei cometário adiante.

Resumindo: Eles ficaram presos no gelo no mar de Wendell durante quase 2 anos, tiveram o navio destruido pelo gelo. Arrastaram os escaleres até encontrar o mar e navegaram através do mar antártico até uma ilha (Ilha Elefante) e depois Shackleton, liderando 5 homens, atravessaram o estreito de Drake, o mais violento e inóspito do mundo. Chegaram a uma ilha, que era a base dos barcos baleeiros na época, mas pelo lado oposto. Atravessaram uma cordilheira não mapeada e congelante e conseguiram, ao final de tudo resgatar todos os tripulantes sem nenhuma perda.

Lendo o livro notei que Shackleton traçou um objetivo de trazer todos vivos. Imagine hoje em dia, você leitor, ficar mais de dois anos sem contato nenhum com o mundo (celular e internet). Impensável não? A determinação dele possibilitou a vitória sobre a adversidade.

Como comentei acima ele participou de outra tentativa fracassada de conquista do polo Sul. Seu companheiro, Robert Scott, inglês e nobre, morreu numa tentativa posterior contra o norueguês Roald Amundsen. A explicação é simples: enquanto Amundsen preparou durante anos sua tentativa, morando com os esquimós durante dois anos, instalando postos de abastecimento ao longo da via a ser utilizada e utilizando cães, Scott, em sua soberba, utilizou mulas (no polo Sul??), com o intuito de serem a reserva de comida. Quando elas morriam os homens se encarregavam de executar o trabalho pesado. Tudo isso por que a Inglaterra era o centro do mundo e era ridiculo recorrer as técnicas rudimentares (dos esquimós) para vencer no frio. Enquanto Shackleton exercitou a determinação para superar, Scott morreu por não planejar, sendo que na primeira tentativa já havia cometido os erros que o levaram à morte na segunda.

São dois livros escritos sobre esta aventura do Endurance. O primeiro pelo próprio Shackleton (hoje o título do livro mudou: Sul: A fantástica viagem do Endurance, Editora Alegro) e outro de Caroline Alexander e ilustrada pelo fotógrafo da expedição Frank Hurley (Endurance - A Lendária Expedição de Shackleton À Antártida, Editora Companhia das Letras). Podem ser encontrados nos sites da Submarino e Saraiva.

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